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ACOMPANHAMENTO MÉDICO

Ao longo de toda a gravidez, começando a partir da 6ª semana de gestação (1º trismestre) para controlos pré-natais regulares essenciais para monitorizar a saúde da mãe e do bebé em desenvolvimento. Estas consultas incluem vários testes, rastreios e discussões sobre a evolução da gravidez, os riscos potenciais e a preparação para o parto.

CONSULTAS DE OBSTETRÍCIA

5 mins

Acompanhamento durante a gravidez: como funcionam as consultas obstétricas e o que é avaliado

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O acompanhamento durante a gravidez, também designado por vigilância pré-natal, é um conjunto estruturado de consultas, exames e avaliações clínicas que têm como objetivo garantir a saúde da grávida e o desenvolvimento adequado do bebé, desde o início da gestação até ao parto.

Em Portugal, este acompanhamento é realizado por médicos de família, médicos ginecologistas/obstetras e enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, de acordo com as orientações da Direção-Geral da Saúde, podendo ocorrer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) ou no setor privado.

 

Porque é tão importante o acompanhamento da gravidez?

A gravidez é um processo fisiológico, mas envolve adaptações profundas no organismo da mulher. A vigilância regular permite:

  • Confirmar e acompanhar a evolução normal da gravidez;

  • Avaliar o crescimento e o bem-estar do bebé;

  • Detetar precocemente complicações maternas ou fetais;

  • Esclarecer dúvidas e apoiar a grávida e a família;

  • Preparar o parto e o pós-parto.

 

A maioria das complicações pode ser prevenida ou controlada quando identificada atempadamente.

Quando começam as consultas obstétricas?

Idealmente, a primeira consulta deve ocorrer logo após a confirmação da gravidez, preferencialmente até às 8–10 semanas de gestação.


A partir daí, as consultas são programadas de forma regular:

  • Até às 32 semanas: geralmente mensais;

  • Entre as 32 e as 36 semanas: quinzenais;

  • A partir das 36 semanas até ao parto: semanais.

 

A frequência pode ser ajustada se existirem fatores de risco.

 

O que é avaliado nas consultas obstétricas?

Cada consulta tem objetivos específicos, mas há um conjunto de aspetos avaliados de forma contínua.

Avaliação da grávida

Durante o acompanhamento, os profissionais de saúde avaliam:

  • Peso e índice de massa corporal (IMC), para monitorizar o ganho ponderal adequado;

  • Pressão arterial, essencial para despistar situações como hipertensão gestacional ou pré-eclâmpsia;

  • Edemas (inchaço), sobretudo em pernas, mãos e face;

  • Sintomas referidos pela grávida, como dores, náuseas, fadiga, alterações visuais ou diminuição dos movimentos fetais;

  • Estado emocional e psicológico, identificando sinais de ansiedade ou depressão;

  • Resultados de análises laboratoriais (sangue e urina), para avaliar anemia, infeções, glicemia, função renal, entre outros parâmetros.

 

Avaliação do bebé

 

O acompanhamento do bebé é feito através de observação clínica e exames complementares:

  • Crescimento fetal, avaliado por medições ecográficas;

  • Batimentos cardíacos fetais, auscultados a partir de determinadas semanas;

  • Movimentos fetais, sobretudo no segundo e terceiro trimestres;

  • Quantidade de líquido amniótico;

  • Posição do bebé (cefálica, pélvica, transversal);

  • Avaliação anatómica, especialmente na ecografia morfológica do segundo trimestre.

 

Exames complementares ao longo da gravidez

As consultas obstétricas incluem a solicitação e análise de vários exames fundamentais:

Ecografias obstétricas

 

Habitualmente realizadas em três momentos-chave:

  • 1.º trimestre (11–13 semanas) – datação e avaliação inicial;

  • 2.º trimestre (cerca das 20–22 semanas) – ecografia morfológica;

  • 3.º trimestre (28–32 semanas) – avaliação do crescimento e bem-estar fetal.

 

Análises laboratoriais

 

Incluem:

  • Hemograma (avalia anemia);

  • Grupo sanguíneo e fator Rh;

  • Rastreio de infeções (ex.: toxoplasmose, rubéola, sífilis, hepatites);

  • Avaliação da glicemia (rastreio de diabetes gestacional);

  • Análises à urina.

 

Educação para a saúde e apoio à grávida

As consultas não se limitam à avaliação clínica. São também um espaço essencial para:

  • Esclarecer dúvidas sobre sintomas normais da gravidez;

  • Orientar sobre alimentação, exercício físico e descanso;

  • Falar sobre sexualidade na gravidez;

  • Preparar o parto e o plano de nascimento;

  • Informar sobre sinais de alerta que exigem observação urgente;

  • Apoiar emocionalmente a grávida e a família.

 

Quando é necessário um acompanhamento mais apertado?

Algumas situações exigem vigilância reforçada, como:

  • Gravidez em idade materna avançada;

  • Doenças crónicas (diabetes, hipertensão, doenças autoimunes);

  • Gravidez múltipla;

  • História de complicações em gravidezes anteriores;

  • Alterações no crescimento fetal.

 

Nestes casos, as consultas podem ser mais frequentes e envolver equipas multidisciplinares.

Outros aspetos importantes do acompanhamento

 

Preparação para o parto

Nas últimas semanas, o foco passa também pela preparação para o nascimento:

  • Avaliação do colo do útero;

  • Discussão sobre sinais de início de trabalho de parto;

  • Planeamento do local de parto;

  • Esclarecimento sobre analgesia e opções disponíveis.

 

Envolvimento do outro progenitor

Sempre que possível, o envolvimento do parceiro nas consultas reforça o apoio emocional à grávida e facilita a adaptação familiar.

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Validado pela equipa de obstetrícia da Comissão Científica: Enfª Mónica Tavares, Enfª Ana Rita Pinto, Enfª Carina Vieira e Enfª Inês Maio

Publicado a: 27.02.2026

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CONSULTAS DE NUTRIÇÃO

5 mins

​​Acompanhamento nutricional durante a gravidez: o papel das consultas de nutrição na saúde da grávida e do bebé

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O acompanhamento nutricional durante a gravidez é um dos pilares fundamentais para uma gestação saudável. A alimentação da grávida influencia diretamente o crescimento e desenvolvimento do bebé, bem como o bem-estar físico e emocional da mãe, tanto durante a gravidez como no pós-parto.

 

As consultas de nutrição na gravidez permitem adaptar a alimentação às necessidades específicas de cada trimestre, prevenir carências nutricionais e reduzir o risco de complicações obstétricas.

 
Porque é importante o acompanhamento nutricional na gravidez?

Durante a gravidez, o organismo da mulher sofre alterações metabólicas significativas para sustentar o desenvolvimento fetal. As necessidades energéticas e nutricionais aumentam, mas “comer por dois” é um mito.

Um acompanhamento adequado permite:

  • Garantir aporte suficiente de nutrientes essenciais;

  • Prevenir anemia, diabetes gestacional e hipertensão;

  • Promover um ganho de peso adequado;

  • Apoiar o desenvolvimento saudável do feto;

  • Reduzir riscos no parto e no pós-parto.

 

Este acompanhamento é habitualmente realizado por nutricionistas, em articulação com médicos e enfermeiros, de acordo com as boas práticas definidas pela Ordem dos Nutricionistas e pela Direção-Geral da Saúde.

 

Quando iniciar as consultas de nutrição na gravidez?

Idealmente, a primeira consulta de nutrição deve ocorrer no início da gravidez, ou até mesmo antes da conceção, especialmente em mulheres com:

  • Excesso de peso ou baixo peso;

  • Doenças crónicas (diabetes, hipertensão, doenças gastrointestinais);

  • Dietas específicas (vegetariana, vegan, intolerâncias alimentares);

  • História de complicações em gravidezes anteriores.

 

Ao longo da gestação, o acompanhamento pode ser ajustado à evolução clínica da grávida.

 

O que é avaliado nas consultas de nutrição?

 

Cada consulta de nutrição é individualizada e tem como objetivo adaptar a alimentação às necessidades reais da grávida.

 

Avaliação da grávida

 

O nutricionista analisa vários aspetos, entre eles:

  • Peso, altura e índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional;

  • Evolução do ganho de peso ao longo da gravidez;

  • História clínica e obstétrica;

  • Hábitos alimentares, horários e preferências;

  • Presença de sintomas como náuseas, vómitos, azia, obstipação ou aversões alimentares;

  • Nível de atividade física;

  • Resultados de análises laboratoriais (ferro, vitamina D, glicemia, entre outros).

 

Com base nesta avaliação, é definido um plano alimentar personalizado.

 

Avaliação indireta do bebé através da nutrição materna

 

Embora o nutricionista não avalie diretamente o bebé, a alimentação materna influencia:

  • Crescimento fetal adequado;

  • Formação do sistema nervoso e ósseo;

  • Desenvolvimento do sistema imunitário;

  • Redução do risco de baixo peso ou excesso de peso ao nascer.

 

A articulação com o obstetra permite ajustar o plano alimentar sempre que existam alterações no crescimento fetal.

 

Principais nutrientes acompanhados durante a gravidez

 

As consultas de nutrição dão especial atenção a nutrientes críticos:

  • Ácido fólico: Essencial na prevenção de defeitos do tubo neural, sobretudo no primeiro trimestre.

  • Ferro: Fundamental para prevenir anemia, comum na gravidez devido ao aumento do volume sanguíneo.

  • Cálcio e vitamina D: Importantes para a saúde óssea da mãe e do bebé.

  • Iodo: Essencial para o desenvolvimento neurológico fetal.

  • Proteína: Necessária para o crescimento dos tecidos fetais e maternos.

  • Ácidos gordos ómega-3 (DHA): Importantes para o desenvolvimento cerebral e visual do bebé.

Sempre que necessário, o nutricionista pode recomendar suplementação, em articulação com o médico assistente.

 

Prevenção de complicações através da nutrição

O acompanhamento nutricional é uma ferramenta essencial na prevenção e gestão de:

  • Diabetes gestacional;

  • Hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia;

  • Ganho de peso excessivo ou insuficiente;

  • Distúrbios gastrointestinais frequentes na gravidez;

  • Deficiências nutricionais.

 

Em casos específicos, como diabetes gestacional, as consultas tornam-se mais frequentes e rigorosas.

Segurança alimentar na gravidez

 

Um dos aspetos centrais abordados nas consultas é a segurança alimentar, incluindo:

  • Alimentos a evitar (ex.: carnes cruas, peixe cru, leite não pasteurizado);

  • Prevenção da toxoplasmose e listeriose;

  • Higiene alimentar adequada;

  • Conservação correta dos alimentos.

 

Estas orientações são fundamentais para proteger o bebé de infeções potencialmente graves.

 

Educação alimentar e apoio à grávida

 

As consultas de nutrição são também um espaço de esclarecimento e apoio:

  • Desmistificação de mitos alimentares;

  • Estratégias para lidar com enjoos, azia e alterações do apetite;

  • Planeamento de refeições práticas e equilibradas;

  • Preparação para a alimentação no pós-parto e amamentação.

 

O objetivo é promover uma relação saudável com a alimentação, sem restrições desnecessárias.

 

Nutrição no pós-parto: Muitas grávidas mantêm acompanhamento nutricional após o parto, especialmente durante a amamentação, para garantir recuperação adequada e aporte nutricional suficiente.

 

Abordagem individualizada: Não existe uma alimentação “igual para todas”. O acompanhamento nutricional respeita o contexto social, cultural e económico da grávida, promovendo escolhas realistas e sustentáveis.

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Validado pela equipa de Nutrição da Comissão Científica: Drª Cláudia Marques (Nutrição Materno-Infantil), Drª Débora Lopes (Nutrição Materno-Infantil), Drª Iolanda Vila e Drª Sara Venâncio

Publicado a: 24.02.2026

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CONSULTAS DE PSICOLOGIA

5 mins

​​Acompanhamento psicológico durante a gravidez: o papel das consultas de psicologia na saúde da grávida e do bebé

O acompanhamento psicológico durante a gravidez é uma componente essencial da vigilância pré-natal, reconhecida cada vez mais como determinante para a saúde física, emocional e relacional da grávida e do bebé.

A gravidez é um período de profundas transformações — físicas, hormonais, emocionais e sociais — que podem gerar bem-estar, mas também ansiedade, medo ou vulnerabilidade emocional. As consultas de psicologia permitem apoiar a mulher (e, sempre que possível, o casal) neste processo de adaptação, promovendo uma vivência mais segura e equilibrada da gravidez.

Em Portugal, este acompanhamento é realizado por psicólogos, em articulação com médicos e enfermeiros, seguindo as boas práticas recomendadas pela Ordem dos Psicólogos Portugueses e pela Direção-Geral da Saúde.

Porque é importante o acompanhamento psicológico na gravidez?

 

A saúde mental da grávida influencia diretamente:

  • O bem-estar emocional da mãe;

  • A forma como a gravidez é vivida e interpretada;

  • O vínculo precoce com o bebé;

  • O risco de complicações emocionais no pós-parto;

  • A dinâmica familiar e conjugal.

 

Alterações emocionais ligeiras são comuns e esperadas na gravidez. No entanto, quando persistem ou se intensificam, podem evoluir para ansiedade clínica, depressão perinatal ou dificuldades de vinculação, sendo fundamental uma abordagem precoce.

 

Quando iniciar as consultas de psicologia?

As consultas de psicologia podem ser iniciadas em qualquer fase da gravidez, não sendo necessário existir um diagnóstico psicológico prévio. São especialmente recomendadas:

  • No início da gravidez, para adaptação à notícia e às mudanças;

  • Em gravidezes não planeadas ou de risco;

  • Quando existem medos intensos relacionados com o parto ou a parentalidade;

  • Em mulheres com história prévia de ansiedade, depressão ou trauma;

  • Após perdas gestacionais anteriores;

  • Sempre que a grávida sinta necessidade de apoio emocional.

 

O acompanhamento pode ser pontual ou contínuo, consoante as necessidades identificadas.

 

O que é avaliado nas consultas de psicologia durante a gravidez?

As consultas de psicologia são centradas na pessoa e adaptadas ao contexto individual da grávida.

Avaliação da grávida

 

O psicólogo avalia, de forma clínica e relacional:

  • Estado emocional atual (ansiedade, tristeza, irritabilidade, medo);

  • Presença de sintomas de ansiedade ou depressão perinatal;

  • Estratégias de coping (forma como a grávida lida com o stress);

  • História psicológica e experiências anteriores relevantes;

  • Expectativas em relação à gravidez, parto e maternidade;

  • Qualidade do sono e níveis de fadiga;

  • Relação com o corpo e imagem corporal;

  • Rede de apoio familiar e social;

  • Dinâmica conjugal e comunicação no casal.

 

Esta avaliação permite identificar fatores de risco e de proteção para a saúde mental.

 

Impacto do acompanhamento psicológico no bebé

Embora o psicólogo não avalie diretamente o bebé durante a gravidez, o acompanhamento psicológico tem impacto indireto significativo:

  • Redução do stress materno, associado a melhores condições intrauterinas;

  • Promoção de um vínculo pré-natal saudável;

  • Preparação emocional para a parentalidade;

  • Diminuição do risco de depressão pós-parto, que pode afetar a relação mãe–bebé.

 

O bem-estar emocional da mãe é um fator chave no desenvolvimento do bebé.

 

Intervenções realizadas nas consultas de psicologia

As intervenções são ajustadas às necessidades da grávida e podem incluir:

  • Apoio emocional e escuta terapêutica: Espaço seguro para expressar medos, dúvidas e sentimentos, sem julgamento.

  • Estratégias de regulação emocional: Técnicas para lidar com ansiedade, stress e pensamentos negativos.

  • Preparação psicológica para o parto: Trabalho sobre medos do parto, controlo da dor, expectativas realistas e tomada de decisão informada.

  • Promoção do vínculo pré-natal: Estimulação da ligação emocional com o bebé ainda durante a gravidez.

  • Intervenção no casal: Apoio à comunicação, adaptação dos papéis parentais e gestão de expectativas.

 

Situações que beneficiam de acompanhamento psicológico mais próximo

Algumas situações exigem maior vigilância psicológica:

  • Sintomas persistentes de ansiedade ou depressão;

  • Gravidez de risco ou complicações médicas;

  • Gravidez após infertilidade ou perdas gestacionais;

  • Falta de suporte familiar ou social;

  • Violência doméstica ou relações disfuncionais;

  • Dificuldades significativas de vinculação à gravidez.

 

Nestes casos, o acompanhamento pode ser mais frequente e integrado numa equipa multidisciplinar.

 

Educação emocional e prevenção no pós-parto

As consultas de psicologia têm também um papel preventivo:

  • Preparação para o pós-parto e adaptação às novas rotinas;

  • Identificação precoce de sinais de depressão pós-parto;

  • Promoção de expectativas realistas sobre maternidade e parentalidade;

  • Reforço da autoconfiança e do autocuidado.

 

Este trabalho preventivo é fundamental para uma transição saudável para a parentalidade.

 

Envolvimento do parceiro: Sempre que possível, o envolvimento do outro progenitor nas consultas pode fortalecer a relação do casal e melhorar o suporte emocional à grávida.

 

Abordagem individualizada: Não existe uma “forma certa” de viver a gravidez. O acompanhamento psicológico respeita o ritmo, a história e as necessidades de cada mulher.

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Validado pela equipa de Psicologia da Comissão Científica: Drª Iara Silva e

Drª Carolina Neves

Publicado a: 11.03.2026

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CONSULTAS DE FISIOTERAPIA PÉLVICA

5 mins

Acompanhamento durante a gravidez: o papel da fisioterapia pélvica na saúde da grávida e do bebé

O acompanhamento em fisioterapia pélvica durante a gravidez é uma intervenção especializada que visa prevenir e tratar alterações do pavimento pélvico, preparar o corpo da grávida para o parto e promover uma recuperação mais eficaz no pós-parto.

 

Esta área da fisioterapia integra-se cada vez mais na vigilância pré-natal, em articulação com médicos e enfermeiros, seguindo as boas práticas recomendadas pela Direção-Geral da Saúde e pela Ordem dos Fisioterapeutas.

 

Porque é importante a fisioterapia pélvica na gravidez?

 

Durante a gravidez, o corpo da mulher sofre alterações profundas: aumento de peso, alterações hormonais (como o relaxamento ligamentar), mudanças posturais e maior pressão sobre o pavimento pélvico.

 

A fisioterapia pélvica ajuda a:

  • Prevenir disfunções do pavimento pélvico (incontinência urinária ou fecal, prolapsos);

  • Reduzir dor lombar, pélvica e ciática;

  • Melhorar a postura e o equilíbrio corporal;

  • Preparar os músculos para o trabalho de parto;

  • Facilitar a recuperação pós-parto;

  • Aumentar a consciência corporal e a confiança da grávida.

 

Quando iniciar as consultas de fisioterapia pélvica?

 

A fisioterapia pélvica pode ser iniciada em qualquer fase da gravidez, mesmo em mulheres sem sintomas. No entanto, é particularmente recomendada:

  • A partir do 2.º trimestre, como forma de prevenção;

  • Quando existem sintomas como perdas urinárias, dor pélvica ou sensação de peso vaginal;

  • Em gravidezes anteriores com traumatismo perineal;

  • Em grávidas com trabalho físico exigente ou postura prolongada.

O plano é sempre individualizado, após avaliação clínica detalhada.

O que é avaliado nas consultas de fisioterapia pélvica?

 

Cada consulta começa com uma avaliação cuidada e adaptada à fase da gravidez.

 

Avaliação da grávida

 

O fisioterapeuta especializado avalia:

  • História clínica e obstétrica;

  • Presença de dor lombar, pélvica ou perineal;

  • Sintomas de incontinência urinária ou fecal;

  • Sensação de peso ou desconforto vaginal;

  • Postura, alinhamento corporal e padrão respiratório;

  • Mobilidade da bacia, coluna e articulações;

  • Consciência e função do pavimento pélvico (contração, relaxamento e coordenação), respeitando sempre o conforto e consentimento da grávida.

 

A avaliação interna só é realizada quando clinicamente indicada e com consentimento informado.

Impacto indireto no bem-estar do bebé

 

Embora a fisioterapia pélvica se foque na grávida, os seus benefícios refletem-se também no bebé:

  • Melhor oxigenação e circulação materna;

  • Redução do stress físico e emocional da mãe;

  • Melhoria da dinâmica do parto, facilitando a descida fetal;

  • Promoção de um ambiente intrauterino mais equilibrado.

 

Uma grávida mais confortável e confiante tende a vivenciar um parto mais positivo.

Intervenções realizadas durante as consultas

 

As consultas de fisioterapia pélvica podem incluir:

  • Exercícios do pavimento pélvico: Treino de contração e relaxamento, adaptado a cada trimestre, prevenindo disfunções futuras.

  • Exercícios posturais e de mobilidade: Focados na coluna, bacia e membros inferiores, para aliviar dores e melhorar a funcionalidade diária.

  • Técnicas respiratórias: Treino da respiração diafragmática, essencial para o controlo da pressão intra-abdominal e para o trabalho de parto.

  • Preparação perineal para o parto: Inclui ensino de técnicas de relaxamento do períneo e, em algumas situações, massagem perineal, com o objetivo de reduzir o risco de lacerações.

  • Educação e aconselhamento: Orientações sobre ergonomia, posições de descanso, atividade física segura e sinais de alerta.

 

Situações que beneficiam de acompanhamento mais próximo

A fisioterapia pélvica é especialmente indicada em casos de:

  • Incontinência urinária durante a gravidez;

  • Dor pélvica intensa ou incapacitante;

  • Gravidez múltipla;

  • História de parto traumático;

  • Trabalho prolongado em pé ou sentado;

  • Sedentarismo ou, pelo contrário, atividade física de impacto.

Nestes casos, as consultas podem ser mais frequentes e articuladas com a equipa médica.

 

Educação para o parto e empoderamento da grávida

Para além do aspeto físico, a fisioterapia pélvica tem um papel essencial na educação para o parto:

  • Ensina a reconhecer e usar o corpo de forma eficaz;

  • Ajuda a compreender o papel do pavimento pélvico no nascimento;

  • Reduz o medo associado ao parto;

  • Promove uma vivência mais informada e confiante.

 

Este empoderamento é um fator chave para o bem-estar emocional da grávida.
 

Continuidade no pós-parto: O acompanhamento pode (e deve) continuar após o parto, ajudando na recuperação do pavimento pélvico, cicatrização, retorno à atividade física e prevenção de disfunções a longo prazo.

 

Abordagem personalizada: Cada gravidez é única. A fisioterapia pélvica adapta-se à realidade, necessidades e objetivos de cada mulher, respeitando sempre o seu ritmo.

Validado pela equipa de Fisioterapia Pélvica da Comissão Científica: Drª Carina Furtado e Drª Raquel Oleiro

Publicado a: 11.03.2026

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CONSULTAS DE MEDICINA DENTÁRIA

5 mins

​​Acompanhamento durante a gravidez: o papel das consultas de medicina dentária na saúde da grávida e do bebé

O acompanhamento em medicina dentária durante a gravidez é uma componente fundamental da vigilância pré-natal, embora ainda muitas vezes subvalorizada. As alterações hormonais próprias da gestação tornam a grávida mais suscetível a problemas de saúde oral, que podem ter impacto não só na mãe, mas também no desenvolvimento do bebé.

As consultas de medicina dentária na gravidez permitem prevenir, diagnosticar e tratar precocemente doenças da cavidade oral, contribuindo para uma gravidez mais segura e saudável.

Em Portugal, este acompanhamento é recomendado por entidades como a Direção-Geral da Saúde e pela Ordem dos Médicos Dentistas, devendo integrar-se no plano global de cuidados à grávida.

 

Porque é importante a saúde oral durante a gravidez?

Durante a gravidez ocorrem alterações hormonais significativas, nomeadamente o aumento dos estrogénios e da progesterona, que influenciam a resposta inflamatória das gengivas e a composição da saliva. Estas alterações podem favorecer:

  • Gengivite gravídica (inflamação das gengivas);

  • Maior risco de cáries dentárias;

  • Sangramento gengival;

  • Agravamento de doenças periodontais pré-existentes;

  • Aparecimento de lesões benignas, como o granuloma gravídico.

A evidência científica sugere que a doença periodontal não tratada pode estar associada a parto pré-termo e baixo peso à nascença, reforçando a importância do acompanhamento dentário regular.

Quando devem ser feitas as consultas de medicina dentária?

Idealmente, a grávida deve realizar uma consulta de medicina dentária:

  • Antes de engravidar, sempre que possível, para avaliação e tratamento preventivo;

  • No início da gravidez, para avaliação do estado de saúde oral;

  • Ao longo da gestação, conforme necessidade clínica.

O 2.º trimestre é geralmente considerado o período mais confortável e seguro para a realização de tratamentos dentários eletivos, embora cuidados preventivos possam ser realizados em qualquer fase.

 

O que é avaliado nas consultas de medicina dentária durante a gravidez?

As consultas são adaptadas à fase da gravidez e ao estado geral da grávida, com foco na prevenção e segurança.

Avaliação da grávida

O médico dentista avalia:

  • Estado das gengivas, presença de inflamação, sangramento ou retração;

  • Existência de cáries ativas ou dentes fraturados;

  • Condição de restaurações, coroas ou próteses;

  • Presença de dor dentária ou infeção;

  • Higiene oral e hábitos de escovagem;

  • Alterações na mucosa oral;

  • Queixas associadas a náuseas ou refluxo, que podem afetar o esmalte dentário.

Sempre que necessário, é elaborado um plano de tratamento adaptado à gravidez.

Impacto da saúde oral da mãe no bebé

Embora o médico dentista não avalie diretamente o bebé, a saúde oral materna influencia indiretamente:

  • O risco de inflamação sistémica;

  • A probabilidade de infeções durante a gravidez;

  • O risco de complicações obstétricas associadas a doença periodontal;

  • A futura saúde oral da criança, uma vez que a transmissão de bactérias cariogénicas ocorre sobretudo após o nascimento.

Cuidar da boca da mãe é também uma forma de proteger a saúde do bebé.

 

Intervenções realizadas durante as consultas dentárias

As consultas de medicina dentária na gravidez podem incluir:

  • Consulta de avaliação e vigilância: Observação clínica detalhada e acompanhamento regular. Radiografias dentárias só são realizadas quando estritamente necessárias e com proteção adequada (avental de chumbo).

  • Higiene oral profissional: Remoção de placa bacteriana e tártaro, essencial para prevenir gengivite e periodontite.

  • Tratamento de cáries: Quando necessário, pode ser realizado com materiais seguros para a grávida.

  • Tratamento de infeções: Infeções dentárias devem ser tratadas prontamente, pois representam risco para a saúde materna.

  • Educação para a saúde oral: Orientações sobre escovagem correta, uso de fio dentário, alimentação e cuidados em caso de vómitos frequentes.

Situações que exigem maior vigilância dentária

Algumas grávidas beneficiam de acompanhamento mais próximo, nomeadamente:

  • História de doença periodontal;

  • Náuseas e vómitos intensos (hiperémese gravídica);

  • Diabetes gestacional;

  • Má higiene oral prévia;

  • Dor ou infeção dentária ativa.

Nestes casos, o acompanhamento é ajustado e articulado com a equipa médica.

 

 

Mitos comuns sobre medicina dentária na gravidez

Ainda persistem alguns mitos que importa esclarecer:

  • ❌ “Não se pode ir ao dentista durante a gravidez” – falso;

  • ❌ “Os tratamentos fazem mal ao bebé” – falso, quando realizados com critérios de segurança;

  • ❌ “Perder dentes é normal na gravidez” – falso.

Com acompanhamento adequado, a saúde oral pode e deve ser mantida durante toda a gestação.

Preparação para o pós-parto: As consultas também ajudam a preparar a mãe para os cuidados de saúde oral após o parto e para a higiene oral do bebé.

Abordagem integrada: A medicina dentária deve articular-se com obstetras, médicos de família e outros profissionais, promovendo uma abordagem global à saúde da grávida.

Validado pela equipa de Medicina Dentária da Comissão Científica: Drª Beatriz Barros e Drª Rosália Casais

Publicado a: 26.01.2026

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Última atualização: Outubro de 2024

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